A indústria alimentícia surgiu para aumentar a durabilidade dos produtos e, para esse processo, usa substâncias químicas como conservantes, estabilizantes, corantes e espessantes. O argumento de que a quantidade desses aditivos é mínima e está abaixo do teor considerado tóxico… é questionável. Ao final do dia, acabamos ingerido uma carga de substâncias artificiais que ultrapassaria o aceitável. Mas pregar a proibição total do consumo de alimentos industrializados não seria nada prático.
A Revista Claudia diz que deveríamos resgatar o prazer de comer, de descobrir os sabores reais, de preparar a refeição e reforçar a convivência familiar em volta da mesa. O ideal seria ir sempre que possível à feira e escolher alimentos frescos no supermercado. E, se não for possível cozinhar todos os dias, aproveite o fim de semana ou determine uma das refeições do dia para comer bem – reforce o café da manhã com pão integral, geleias caseiras, sucos de frutas espremidas na hora. O melhor é encarar o desafio de comer menos e ficar em paz com a balança. Pesquisas apontam uma relação entre restrição calórica e aumento da expectativa de vida. Os cientistas vão além: apenas 35% da longevidade se deve à herança genética. Mais determinantes do que os genes para prolongar a vida são os bons hábitos.
Ecológica à mesa
Se você pensou em comida orgânica… Acertou. Mas não basta que seja orgânica. Para dar uma ajudinha ao futuro do planeta, ela tem que ser cultivada de acordo com os preceitos da sustentabilidade. Talvez você não tenha parado para pensar que sua decisão sobre o que colocar no prato tem implicações econômicas, éticas e ambientais. O que está em jogo é toda a cadeia alimentar – do solo ao ser humano. Se a terra estiver doente, o capim que nela cresce e o gado que se alimenta dele também vai adoecer. O mesmo acontece conosco, que bebemos o leite produzido pelas vacas. Ou seja, a saúde do meio ambiente afeta a nossa saúde. “Herbicidas, inseticidas, fungicidas e bactericidas matam os micro-organismos que atingem as plantações, mas também são responsáveis pela contaminação dos alimentos, pelo envenenamento de rios e pela redução de 40% da área cultivada em todo o globo”, explica a geneticista americana Pamela Ronald, em uma entrevista exclusiva à Revista Claudia. Pamela é coautora do livro “Tomorrow’s Table” (A mesa de amanhã), ainda não publicado no Brasil, mas que está fazendo grande barulho nos Estados Unidos. Nele, ela propõe o casamento da engenharia genética com a agricultura orgânica para produzir comida natural de boa qualidade e livrar o meio ambiente da degradação.
No Brasil, embora liberados, os transgênicos são vistos com certa desconfiança por se tratar de uma tecnologia nova. Mas, segundo a geneticista, a junção entre eles e a agricultura orgânica, que ainda não aconteceu por aqui, poderá garantir a nossa saúde e a do planeta. No quesito toxicidade, a situação brasileira é preocupante. Para ter uma ideia, das 3.130 amostras de 20 alimentos coletadas pela Anvisa no ano passado, 29% apresentaram irregularidades, como resíduos de agrotóxicos acima do permitido e ingredientes ativos não autorizados.
Alguns já são proibidos em várias partes do mundo, como o monocrotofós e o tricloform. Pimentão, uva, pepino, morango, couve, mamão, tomate, arroz e até feijão figuram entre os mais contaminados. Além do perigo que representam para a saúde, as plantas cultivadas com agrotóxicos são nutricionalmente inferiores. Crescem mais depressa, suas raízes são menores e não assimilam todos os minerais do solo. Diferente das plantações orgânicas, que vêm de solos tratados por adubos naturais ricos em benefícios.
O mercado de orgânicos cresce muito e faz parte do que é considerado moderno e saudável – o plantio consciente e “natural”. Além disso, o consumo de alimentos funcionais também está aumentando. Para que possam ser comercializados com esse rótulo, é preciso comprovar, por meio de estudos clínicos e laboratoriais, que os produtos possuem a quantidade necessária de fitoquímicos, substâncias que são verdadeiros escudos contra diversas doenças, da osteoporose ao câncer. A preocupação com o que se come é tanta que uma pesquisa realizada em todo o território nacional pelo Departamento de Agronegócio da Fiesp mostrou que 80% da população aceitaria pagar mais por alimentos produzidos com práticas sustentáveis.
Assim deixe-se levar, continua a Revista Claudia, por essa onda saudável e previna doenças com alimentos certificados. Vale investir seu dinheiro em sua saúde e na da sua família: é economia de remédios no futuro. Consuma alimentos crus, cujos nutrientes são mais bem preservados, e sementes germinadas – trigo, centeio, soja e linhaça – que são antibacterianas e desintoxicantes. Descubra, por exemplo, o prazer de cultivar em casa temperos, ervas terapêuticas, verduras e legumes. Uma horta caseira garante alimentação saudável, sem agrotóxicos, além de reforçar o respeito à natureza. Pense nisso!