Sou parceira do banco e trabalho lado a lado com a Diretoria de Desenvolvimento Sustentável no suporte ao conteúdo que o banco disponibiliza aqui no Espaço de Práticas. Trabalhar com uma empresa inovadora que abraça compromissos socioambientais significa estar antenada com o que vem sendo desenvolvido em sustentabilidade no mundo.
Assim, parti na semana passada para mais uma imersão em um desses pólos de novidades em comportamento e mercado. Nova York sediou, na sexta-feira (08), uma conferência que reuniu pelo 5º ano consecutivo, pesquisadores de tendências do mundo todo. E para minha alegria, a totalidade dos projetos apresentados seguiam na direção de humanizar os negócios, propondo soluções socioambientais e promovendo a cultura de compartilhamento, tudo com uma boa dose de criatividade.

PSFK Conference, em Nova York
O dia começou com o fundador do KickStarter, ressaltando o caráter democrático do crowdfundinge sua inovadora forma de financiamento coletivo de projetos das mais diferentes áreas que permite que pessoas invistam em ideias que lhe agradem (veja as iniciativas brasileiras: Catarsee Movere.me). John Bielenberg, apresentou a mais revolucionária ideia do evento – o lançamento da Common Brand, primeira marca colaborativa do mundo, que trabalha em rede, dirigida pela própria comunidade, unindo empreendedores e negócios sociais capazes de resolver desafios socioambientais.
Destaque ainda para o AirB&B – Air Bed and Breakfast -, site que facilita a hospedagem de turistas na casa de moradores locais, rendendo estadia e networking (criado por uma brasileira, o siteRent a Local Friend, propõe conexões entre pessoas durante as viagens), e para o projeto apresentado pela diretora de recursos digitais da cidade de Nova Iorque (sim, existe esse cargo público por lá!), de reforço a presença da cidade nas mídias digitais. O programa contempla a comunicação dos moradores da cidade com a prefeitura em tempo real e abre espaço para pedidos de serviço via twitter. Ao final, foi bastante inspirador perceber que estavam ali presentes e de ouvidos atentos representantes da sociedade civil e das iniciativas pública e privada, pensando juntos um futuro melhor.
São Francisco, a capital da resiliência
Na sequência, segui para São Francisco, um think tank da cultura de resiliência, cujo compromisso com o meio ambiente data de muitos anos atrás. No último final de semana, a cidade abrigou a 10ª edição do Green Festival, um dos primeiros eventos do mundo criados para discutir sustentabilidade, visitado por mais de 1 milhão de pessoas.
Hoje, a cidade americana com mais edifícios certificados pelo LEED e a primeira a proibir o uso de sacolas plásticas nos supermercados e lojas, está trabalhando para converter 100% da sua frota de táxis em modelos híbridos ou movidos a energias alternativas. Graças à rígida e ampla legislação de resíduos que vigora por lá, São Francisco recicla 75% do lixo que produz e pretende, até 2020, atingir o desperdício zero.
As 125 palestras do festival envolveram praticamente todos os assuntos que permeiam a construção de um novo modelo de vida em sociedade: mídia alternativa, energias renováveis, edificações sustentáveis, mercado de carbono e microfinanciamento, agricultura local e comércio justo, comida e educação para o novo século, empreendedorismo socioambiental, etc.
O bacana foi perceber que mais do que divulgar intenções, o festival é feito para que essa comunidade, que há tempos lidera modelos de práticas mais sustentáveis, se encontre e festeje o atual estado de desenvolvimento de suas ideias que outrora pareciam idealistas demais para ganhar massa crítica.
E no Brasil, em que pé estamos? Iniciativas e celebrações como essas fariam sucesso por aqui?
Carolina Romano
Diretora executiva da empresa AsBoasNovas.com, fornecedora do Banco Santander