Há muito nos perguntávamos – ‘pra que design’? Fiz faculdade no início de 80 e até hoje, de empresários a usuários, não se sabe responder…
- Digamos: para ‘facilitar as atividades de trabalho e ação, trazer bem estar e qualidade de vida as pessoas, planejar a produção, os materiais’, viabilizar, documentar e organizar a reprodução em série, criar linguagens estéticas e conexão com grupos psicográficos e outras coisinhas…
Será? Daí alguém se pergunta sobre a necessidade de uma ‘escova de dentes que gira’ ou se ‘brinquedos com imagens do herói preferido deixam as crianças mais espertas ou não’…hummm. Será que não existem outras formas de valorizar o consumidor e tirar menos do planeta? Ou ainda, reconhecer o que nos oferece generosamente?
Segundo pesquisa realizada em diversos países em 2006 pela FUTERRA _agência de comunicação ligada à coroa inglesa, somente 3% das pessoas discordava sobre a relação direta entre mudanças climáticas e o consumo e 80% dos consumidores estavam preocupados com a questão e não sabem como influenciar para melhorar isto. Destes, cerca de 7% são conscientes, no Brasil representam 5,5% (segundo AKATU), ou seja, consomem de modo coerente com a capacidade do planeta, e são mais envolvidos em questionar e perceber a sua responsabilidade compartilhada neste grande desequilíbrio, se perguntando como e o quê fazer para ajudar?
Segundo Lucy Shea, há três grupos de pessoas, potenciais consumidores, relacionando-os ao tema mudanças climáticas _e esta é uma importante notícia para o mercado e os designers:
- 35% são Pioneiros – tem motivação interna e uma ‘busca’ pelo correto. ficam satisfeitos em trabalhar ou aplicar a questão ambiental, e o fazem naturalmente. não se preocupam de serem ‘vistos como malucos’ por vezes.
- 44% são Prospectores – ou seja, são exploradores, gostam de novidade, tem motivação externa, percepção externa por auto-estima, status.
- 21% restantes de Colonizadores. Tem valores ligados ao passado, ficam ansiosos com as mudanças do mundo, ‘antigamente era melhor…!’
Quando a questão se trata de ‘reciclar lixo’ por exemplo, o colonizador diz: – se a sociedade fizer, eu faço! Lucy conta que a Rainha da Inglaterra colocou painéis solares no palácio, e este grupo dizia_” se ela usar, eu uso!”. Já os prospectores, adoram os movimentos sociais, seguem a moda _ muitos mal observaram como usar os painéis, mas o colocaram ao lado direito na frente da casa, para ‘seguir’ exatamente o que rainha fez… só que muitas vezes, nem pegava sol (ou seja, tornava-se inútil)… E os pioneiros, estes são influenciados pelos pares, são éticos, fazem isto ‘pelo planeta’.
Assim, agora a pergunta mudou geral: – para que serve isto? É útil? Quanto tempo dura, gasta energia? Qual é o seu impacto sobre a natureza e as pessoas?
Questões como esta sempre fez parte da reflexão do design, e hoje estão urgentes nos diálogos interdisciplinares com o mercado, o marketing e o uso inteligente da tecnologia e engenharia.
Este é o papel do design sempre, mas atualizado, design sustentável.! Claro que muda no uso dos critérios e modo de comprovar a pontuação sustentável.! Na missão está entre uma das funções, projetar/criar linguagens para ativar’ o potencial positivo de ação do consumidor, fazendo com que ele consuma melhor e beneficie através do seu consumo!
Comunicar/ativar consciência e atitude é um dos grandes desafios! Que tal projetar produtos pensando nos próximos 50 anos?
Susse…!